Pegada ecológica é um indicador que compara a quantidade de recursos consumidos por cada indivíduo com a biocapacidade do planeta Terra, isto é, a produção de recursos renováveis que consumimos. Conceito desenvolvido e reconhecido a nível internacional pela Global Footprint Network, plataforma que reúne conhecimento sobre sustentabilidade. Ao analisar e calcular a pegada ecológica de cada cidadão, conseguimos investigar de que forma e com que intensidade é que os recursos mundiais estão a ser utilizados. Mas então, qual a quantidade de recursos naturais de que precisamos para sustentar o consumo da população mundial? Quantos planetas seriam necessários se todos vivessem como você? Se estamos a exceder estes recursos, então como podemos mudar hábitos de forma a reduzir a nossa própria pegada ecológica?
Pegada Hídrica é um indicador ambiental que mensura o volume de água doce, usada para medir o consumo de água de quase qualquer coisa: desde a plantação de um alimento até o comércio.
De acordo com a Water Footprint Network, a pegada hídrica está composta por três elementos em função da procedência da água:
Sendo assim, apostar na alimentação sustentável e reduzir o consumo daqueles alimentos que precisem de mais água, como é o caso da carne é uma alternativa viável para reduzir a pegada hídrica e ecológica.
Segundo a Global Footprint Network, uma organização de pesquisa internacional que tem ajudado a mudar a forma de pensar sobre os recursos naturais, identificou que a demanda alimentar representa 28% da pegada ecológica global e o desperdício, 9%. Se cortarmos o desperdício de alimentos pela metade em todo o mundo, por exemplo, seria possível postergar o “Dia da Sobrecarga da Terra” em 11 dias.
“Comida é uma poderosa ferramenta para influenciar a sustentabilidade, pois as decisões que tomamos sobre a nossa alimentação provocam impactos ambientais, sociais e econômicos nas cadeias de produção de alimentos”, explica Carolina Siqueira, analista sênior do WWF-Brasil.
Sendo assim, o programa Agricultura e Alimentos do WWF-Brasil desenvolveu três produtos de comunicação com o intuito de informar as pessoas não apenas sobre os aspectos ambientais dessa produção, mas principalmente fazer com que elas percebam o poder de transformação que elas possuem a cada garfada.
Dois vídeos em formato de animação abordam o tema de forma lúdica. O primeiro deles, “Você come e muda o planeta”, tem o objetivo de questionar o papel e responsabilidades de nós, consumidores, pelo futuro da vida na Terra a partir do uso da natureza para a produção de alimentos.
“O desperdício do planeta” é o segundo vídeo que desde o título invoca a triste realidade de “jogar fora” todos os recursos naturais utilizados na produção de alimentos que vão para o lixo.
Além disso, o programa também preparou um infográfico intitulado “O caminho da comida” a fim de mostrar de maneira simplificada os processos naturais, agrícolas e industriais envolvidos na produção de um prato “típico” de comida do brasileiro contendo: arroz, feijão, alface, tomate, ovo e bife.
O chá é o vencedor, com 108 litros de água por litro de chá coado. O café utiliza quase dez vezes mais água: 1.056 litros por litro de café coado. Em termos de consumo, uma xícara de 250 ml de chá preto (3 gramas) consome cerca de 27 litros de água. Já uma xícara de 125 ml de café (7 gramas) corresponde a uma pegada hídrica de 132 litros.
A cerveja, com 298 litros de água por litro de cerveja. Já o vinho consome 870 litros de água para produzir uma garrafa de 1 litro. Em termos de consumo: são usados 109 litros de água para uma taça de 125 ml de vinho, enquanto a cerveja consome 37 litros de água para um copo com o mesmo volume.
O frango, que consome cerca de 4.330 litros de água por quilo. A carne bovina é a que utiliza mais água, 15.400 litros/kg, seguida da carne de carneiro (10.400 litros/kg) e da de porco (5.990 litros/kg). Então, se for para comer carne, escolha a de frango. Melhor ainda se optar por ovos, que consomem 3.300 litros/kg. Um ovo de 60 gramas utiliza cerca de 200 litros de água. Para os produtos lácteos, queijo e manteiga são os que mais consomem água, com 5.060 litros/kg e 5.550 litros/kg, respectivamente. O leite, por sua vez, utiliza apenas 1.020 litros/kg, ou 255 litros de água para um copo de leite de 250 ml.
Tofu, com 2.540 litros/kg. São necessários 5.900 litros de água para produzir um quilo de lentilhas. Grão-de-bico exige menos do que a lentilha, com 4.200 litros/kg, e a soja utiliza menos do que o tofu processado, cerca de 2.160 litros/kg. * Todas essas opções são melhores em termos de economia de água do que comer carne bovina, de carneiro ou de porco.
As leguminosas (incluindo feijão, lentilhas, ervilhas etc.) consomem 19 litros por grama de proteína, seguidas por ovos, 29 litros/grama; leite, com 31 litros/grama; e frango, com 34 litros/grama. Para os demais alimentos, os números sobem, com a carne bovina no topo da escala, utilizando 112 litros de água por grama de proteína.
Macarrão, com cerca de 1.850 litros/kg. O arroz não fica muito atrás, utilizando 2.500 litros de água por quilo de arroz processado. Pão (feito de trigo) utiliza 1.608 litros/kg, e a cevada consome 1.420 litros/kg.
Batatas não processadas, com cerca de 290 litros/kg. São necessários 2.440 litros de água para produzir um quilo de aveia em flocos. Batata doce também utiliza menos água, com 386 litros/kg, enquanto milho não processado exige 1.220 litros/kg.
Avelãs e nozes, com 10.590 litros/kg e 9.340 litros/kg, respectivamente. Amêndoas e castanha-de-caju usam, com uma média de 16.200 litros/kg e 14.300 litros/kg, respectivamente. São necessários 11.440 litros de água para produzir um quilo de pistache.
Uva-passa e tâmara, com 2.450 litros/kg e 2.280 litros/kg, respectivamente, apesar de que os três tipos (incluindo o figo) usam mais água do que a maioria das frutas. Os figos são os que mais consomem para produzir. São necessários 3.370 litros de água.
Frutas cítricas, com 560 litros/kg no caso das laranjas; 512 litros/kg para a toranja (também conhecida como grapefruit); e 646 litros/kg para os limões. As ameixas consomem 2.190 litros/kg; damascos 1.290 litros/kg; e pêssegos 915 litros/kg. O abacate também está no topo da lista, com 1.184 litros/kg., enquanto maçãs, bananas, uvas e kiwis usam menos de 840 litros/kg. Morango, abacaxi e melancia consomem menos de 420 litros de água por quilo de fruta.
Brócolis, com apenas 285 litros/kg., juntamente com o couve-flor e couve de bruxelas. O aspargo está entre os que utilizam mais água no grupo de legumes, com 2.167 litros por quilo.
Alho, com cerca de 600 litros/kg. Azeitonas consomem 3.020 litros/kg.
Tomate, com 214 litros/kg. A berinjela também consome pouco, cerca de 361 litros/kg. Alcachofra, pepino e alface consomem 823 litros/kg, 350 litros/kg. e 240 litros/kg, respectivamente.
Em geral, os vegetais consomem bem menos água do que produtos de origem animal, oleaginosas e grãos.
Óleo de Milho, Girassol e Soja usam menos água do que o azeite de oliva, que consome 14.520 litros por quilo. O volume é maior do que o utilizado em todos os tipos de óleo, com exceção do óleo de rícino. O óleo de milho utiliza 2.600 litros/kg., óleo de girassol, 6.840 litros/kg., e o de soja, 4.216 litros/kg. Se você for fã de óleo de coco, tem sorte, porque esse tipo também tem um consumo relativamente baixo de água. Um quilo utiliza 4.519 litros
O chocolate tem uma média de 17.200 litros/kg., mas infelizmente esse produto ainda assim consome mais água do que a carne bovina. Embora duvidemos de que vamos comer um quilo de chocolate num futuro próximo. Cacau em pó consome 15.600 litros de água/kg. Grãos de baunilha lideram a lista, com 127.330 litros/kg., embora sejam usados em quantidades muito pequenas.
A menta utiliza apenas 294 litros de água por quilo. Um quilo de canela consome 15.624 litros. O gengibre utiliza 1.671 litros/kg.
O importante é reconhecer que nossos alimentos respondem por grande parte da pegada hídrica. Na verdade, conhecer as tendências gerais é mais útil do que saber exatamente qual alimento consome menos água. Portanto, comer menos produtos de origem animal e mais alimentos de origem vegetal irá reduzir sua pegada hídrica, bem como comer menos alimentos processados.
Por exemplo, a pegada hídrica da batata frita corresponde ao triplo do volume usado na batata não processada, e o ketchup consome o dobro de água dos tomates.